Mostrando postagens com marcador Literatura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Literatura. Mostrar todas as postagens

Hemingway feelings

Estou lendo Paris est une fête ou, em português, Paris é uma festa, do Ernest Hemingway. Estou na metade do livro, em que o autor/narrador fala de uma época da juventude, na qual viveu na capital francesa. Entre um ou outro dissabor, ele passava FOME, porque, evidentemente, não tinha dinheiro para comprar comida. Ele chegava até a desviar dos lugares onde havia restaurantes, para não passar vontade. Mas ele era FELIZ por viver na cidade, por sua beleza, pelo frenesi cultural latente, pelas companhias. Não sei quanto depois Hemingway viria a ser reconhecido, ganharia o Prêmio Nobel, etc. E se suicidaria, diga-se de passagem.

Eu leio o livro e me identifico. Porque eu estou metaforicamente passando fome, apesar do meu potencial. MAS, infelizmente, não estou feliz como Hemingway era... Ao contrário: as coisas estão chatas, difíceis, arrastadas. Vai ver que essa diferença de ânimo tem a ver com as companias com as quais eu tenho de conviver - pessoas mesquinhas e medíocres -, muito diferentemente do escritor, que passava fome literalmente, mas era conviva de gente que o estimulava de alguma forma.

Bom, tenho que batalhar, ao menos fazer a minha parte para que a minha vez chegue, sem muito sofrimento. Estou até aprendendo a ser mais paciente. Apesar de não ter ainda absoluta certeza de que o reconhecimento é certo...

Difícil ser funcionário

Difícil ser funcionário
Nesta segunda-feira.
Eu te telefono, Carlos
Pedindo conselho.

Não é lá fora o dia
Que me deixa assim,
Cinemas, avenidas,
E outros não-fazeres.

É a dor das coisas,
O luto desta mesa;
É o regimento proibindo
Assovios, versos, flores.

Eu nunca suspeitara
Tanta roupa preta;
Tão pouco essas palavras —
Funcionárias, sem amor.

Carlos, há uma máquina
Que nunca escreve cartas;
Há uma garrafa de tinta
Que nunca bebeu álcool.

E os arquivos, Carlos,
As caixas de papéis:
Túmulos para todos
Os tamanhos de meu corpo.

Não me sinto correto
De gravata de cor,
E na cabeça uma moça
Em forma de lembrança

Não encontro a palavra
Que diga a esses móveis.
Se os pudesse encarar...
Fazer seu nojo meu...

Carlos, dessa náusea
Como colher a flor?
Eu te telefono, Carlos,
Pedindo conselho.
João Cabral de Melo Neto

---

Ao contrário do que possa sugerir o poema, eu ando muito bem com o meu trabalho. Longe de mim contrariar João Cabral, mas eu fiz as pazes com o sistema, não me sinto mal em repartições... por enquanto.

Eclesiastes e tirinhas legais

Tirinhas legais pegas por aí:

Às vezes, dá vontade de correr aos prantos mesmo...


É... There is no such thing as um aquecimento antes...

Essa eu vi ontem nesse blog! Eu miacabo com o terceiro quadrinho!

---
Nesses dias, eu peguei a Bíblia para ler. Meio que por acaso. Quando isso acontece, eu escolho um livro - a Bíblia é composta de livros para quem não sabe - curto, para que eu possa terminar de ler na hora. Eu quero ler a Bíblia toda, para conhecer e para tirar ensinamentos.

Acabei lendo o Eclesiastes, do Velho Testamento. Apesar de ter marcado alguns capítulos e versículos, eu sinceramente não gostei. Não vejo sentido em haver textos pessimistas e/ou críticos na Bíblia. Quer dizer, sentido para havê-los, até há; não há sentido é em (eu) pegar para ler um texto pessimista da Bíblia. Na minha concepção, a Bíblia existe para nos passar bem-estar. Não sei, mas se eu quisesse pessimismo, desgraças, eu acho que assistiria a algum jornal televisivo, etc.

Bom, pelo menos, descobri que a expressão "Nada de novo sob o sol" vem do Eclesiastes. Eu não sabia mesmo... De mais a mais, essas obras de que todo mundo fala, é melhor ler com os próprios olhos, para não "cair" em interpretações erradas e/ou tendenciosas.

A propósito: para quem estiver a fim de ler a Bíblia, uma boa pedida é escolher aquela da capa azul das Edições Paulinas. A linguagem é em português brasileiro e é bem acessível, com construções frasais simples e fáceis. A leitura flui, não é aquela coisa maçante, aborrecida e desestimulante. E tem também algumas explicações e tals. Mas devo dizer que a edição que eu peguei é antiga, de uns 20 anos atrás.

---
C'est ça ;)!

Abraço!


Machado: um avatar de vício frenético

Eu tenho várias dicas a dar a quem interessar possa... Mas, não sei, me dá preguiça de escrever nos momentos oportunos, quando eu vejo ou as coisas e tals... Na verdade, eu enrolo para escrever aqui no blog porque é interneticamente "difícil" me logar nesta conta. É, sei que não sou muito normal...

Mas vamos às dicas:

Avatar: é um filme sobre conflito de civilizações, sobre guerra. Critica, sutilmente ou não, a política bélica americana. De todo modo, é um espetáculo: uma fotografia divina e roteiro bem feito. Merece o Oscar, porque é o filme inesquecível de 2009. Gostei tanto desse filme que fui assisti-lo duas vezes no cinema - apenas para rever a fotografia, as imagens, os efeitos especiais! A segunda vez, eu assisti em 3D. E um dia poderei dizer aos meus descendentes que assisti a "Avatar" em 3D no cinema, que foi um filmão!

Vício Frenético: não esperava muito desse filme. Na verdade, achei que era apenas mais um filme de ação para ganhar dinheiro dos que não têm muito o que fazer além de ir ao cinema. Mas acabei achando a película - ó, uso sinônimos para não repetir as palavras - muito bem feito, envolvente, com cenas fortes e memoráveis. Nicolas Cage sempre fez muito bem o papel de louquinho, meio psicopata. Indica-se.

Machado de Assis: sinceramente, não tenho palavras à altura da minha admiração e da qualidade literária de um dos maiores escritores de todos os tempos - vai saber se não "o maior"... O que me resta fazer é indicar o que eu considero mais do que o "normal especial" da obra dele.

-Romance: Memórias Póstumas de Brás Cubas. Essencial.

*Uma nota sobre Dom Casmurro: não sei até que ponto é producente mandar que se leia esse romance na escola, na adolescência. Eu acredito que, para depreender a mensagem, é necessário maturidade intelectual e emocional. Talvez só quem tenha sentido ciúmes na pele possa entender o protagonista. E talvez só quem tenha sentido ciúmes na pele e depois caído na real de que estava paranoico é que pode tirar algo a mais da história.

-Contos: Pai Contra Mãe, Aurora Sem Dia.

Claro que toda a obra ficcional de Machado deve estar disponível na internet. Mas ler pelo computador não é a mesma coisa que ler no papel impresso ><. Sorry, informática, perdeu aí (mas, pelo menos, só neste ponto)!

Existem uns livrinhos bons da ditora Martin Claret, da coleção A Obra-Prima de Cada Autor, com umas capas bonitinhas e um preço bem camarada (coisa de 10 reais). Vale a pena comprá-los para ler obras impressas. Além de romances, contos, poesia e teatro do Machado, há uma lista imensa de várias obras de vários autores. Tudo com a capa bonitinha e custo agradável às pessoas mais avaras (como eu).

"E as acusações de plágio contra a editora Martin Claret?", alguém mais por dentro pode perguntar. Bom, aí, ou a gente esquece, ou só compra os livros de escritores em português - já que, nestes casos, não houve tradução; portanto, nem plágio ;). O maior crédito dessa coleção são as capas bonitinhas, hehehe.

Um abraço!

PS: sentiu a "arte" do título do post? Hehehe.

Um qualquer ser-humano

Ontem, na calada da noite, depois de um ótimo dia de Natal, eu fiz confissões que podem e provavelmente vão ser usadas contra mim no tribunal. Mas também foi um voto de fé e autoconfiança. Agora, à luz do dia, eu estou meio - leia-se inteiramente - preocupada. Mas, mais cedo ou mais tarde, vou organizar meus pensamentos e essas preocupações se dissiparão. E a Verdade vos libertará! Querendo ou não, acabarei fazendo uma experiência para verificar se essa assertativa cristã é verdadeira - até prova muito em contrário, acredito em tudo o que disse Cristo. E vou testar esse ensinamento (?) na minha própria carne.

Aí a gente pára, pensa e reflete que a vida é MUITO complexa. Bem mais do que a gente supõe que possa racionalizar.

---
Quem teve a idéia de
cortar o tempo em fatias
a que se deu
o nome de ano,
f
oi um indivíduo genial.
Industrializou a esperança
fazend
o-o funcionar no limite da exaustão.

D
oze meses dão para qualquer ser humano
se
cansar e entregar os pontos.

Aí entra
o milagre da renovação e tudo começa outra vez
c
om outro número e outra vontade de acreditar
que daqui para adiante vai ser diferente....
(...)


Carlos Drummond de Andrade, o meu amigo.

---
2009 foi 10? Não, 10 vai ser o ano que vem, 2010, hahahahaha (piadinha boba). Para mim, se 2009 não foi 10, foi 9,5.

Bom Ano Novo!
(caso eu ainda não volte aqui neste ano).




Esse calor não vai me derrubar

Pois é. Chega a ser um mantra nacional: "Que calor!". E ele me aborrece tanto que eu fico estressada só de ouvir alguém reclamando dele, pois, afinal, até para isso, é preciso invocá-lo e fixar na mente que não se foge dele tão facilmente. Mas eu prefiro fingir que me conformo com ele e, secretamente, pensar que um dia eu vou me mudar para um lugar melhor, longe dele. Que essa temporada no inferno literal é apenas passageira... O paraíso vai chegar. Enquanto não chega, vou ouvir músicas legais e tomar água -como uma vaca se refrescando no cocho - para me sentir menos entediada.

---
Finalmente, consegui terminar de ler Demian. Depois que dei uma pesquisada a seu respeito, ele começou a fazer um grande sentido e eu o considerei bastante interessante. Um dia, daqui a uns bons pares de anos, eu o relerei. Not now, John. O fim é... eu não sei dizer se a palavra adequada seria "bárbaro", mas é bem sacado. Daquele tipo de desfecho que faz todo o livro valer a pena, de você se impressionar com como foi inteligente.

---
Hoje vai passar Crepúsculo no Telecine Premium e vou assistir para não ter de ler o livro :P. Este, já quis comprar. Porém, eu, em 99% das vezes, me decepciono com literatura comercial. Então, vou primeiro ver o filme para depois apostar meus dinheiros nolivro.

---
Não sei a que empreitada, hum, intelectual - digamos - me dedicarei agora. Comprei muitos livros teóricos e muitos livros técnicos ultimamente. E quero ser disciplinada para aproveitar todos eles, consumi-los logo, para que não fiquem só na ideia. Além, disso, tive uma experiência recente que me fez querer mudar como pessoa, blá, blá, blá. E, entre outras coisas, é necessário que eu CONCRETIZE vários planos, desde fazer cursos técnicos a ler livros. Chega de ficar só na ideia e de faltar disciplina para realizar os desejos / sonhos.

---
Estão caindo algumas gotas grossas de chuva. Não sei se é daquele tipo para enganar e acalmar as gentes do calorão ou se será, este, um final-de-semana de glória, com muita chuva e dias nublados. Amém para a última oração.

---
Fim e Começo, de Lasar Segall

Demian, Bastardos Inglórios e Pedagogia

Eu estou há meses para terminar de ler Demian, do Hermann Hesse. MESES. No começo, eu achei legal, me empolguei. Mas depois, e ainda agora, virou uma leitura arrastada, cansativa, pesada, só por obrigação.

Não gosto de ler por obrigação. Me sinto uma adolescente que lê Machado de Assis sem realmente compreender, apenas para fazer provas e vestibulares. Eu, aliás, considero contraproducente mandar jovens lerem Dom Casmurro, por exemplo. Certas obras, sem um pouco de maturidade e experiência de vida, não rolam.

Outra coisa de que eu não gosto de fazer é de ler resenhas antes de ler o livro em si. Para não me influenciar. Tanto que, várias vezes, eu li um livro e depois fui pesquisar sobre ele na internet e encontrei resenhas e opiniões quase nada a ver. Então, eu prefiro pegar o livro - que, em geral, chama minha atenção pelo prestígio entre os críticos - e simplesmente ler. DEPOIS eu me inteiro dos juízos a respeito.

Mas, enfim, agora eu vou até o fim com Demian. E vou pesquisar a respeito, sim, antes de terminar, para ver se encontro algum sentido melhor do que o que eu depreendi até agora.

---
Mudando de assunto: assisti a Bastardos Inglórios, último filme do Tarantino. Sinceramente, houve momentos durante a sessão em que eu me senti entediada - porque eu sou do contra :P. Mas depois do filme, eu fiquei muito tempo pensando a respeito do enredo, das cenas. Me deu até vontade de assistir novamente, neste fim de senama... Então, CLARO que é um bom filme. Ser do Tarantino já indica a qualidade.

No entanto, ainda considero os dois Kill Bill o auge do diretor. Roteiro, fotografia e atuações PHODA.

Algumas opiniões sobre Bastardos Inglórios:
- O MAIS interessante do filme é que, em muitas cenas, o idioma falado não é o inglês. Como o pano de fundo é a Segunda Guerra Mundial (para quem não sabe), há várias partes em que se fala alemão e francês, e até italiano. Mesmo a Diane Gruger interpretou em alemão. Eu achei esse recurso do filme bastante interessante.
- A melhor atuação ficou por conta do ator Christoph Waltz, o nazista "Caçador de Judeus", que intrepreta em vários idiomas e tem uma excelente presença em cena.
- A personagem da Diane Kruger não serviu para nada. Acho que só apareceu para mostrar a atriz, que está muito bonita no filme.
- Já tinha visto um filme francês com a atriz Mélanie Laurent, que interpreta a judia da história. Ela aparece loira em Bastardos Inglórios, mas acho que ela fica mais bonita ruiva ou morena. (Este comentário poderia ter a tag "observações ultra-relevantes", hehehe...)
- Através desse filme, eu descobri a música Cat People, do David Bowie. Pagaria dois ingressos por isso.
- As cenas mais engraçadas são: uma, no começo do filme, com o Hitler falando "Nein, nein, nein" e batendo na mesa, de raiva; e outra com o Brad Pitt falando em italiano.

Nota geral do filme: 9,0.

---
E eu tô estudando para os concursos. Pedagogia é interessante, em tese. Apesar das palhaçadas que alguns pesquisadores PRESTIGIADOS escrevem - coisas do tipo "uma escola ideal não pode existir num mundo capitalista, blá, blá, blá...", hahahaha. Mas certos conceitos e métodos são, pelo menos, intelectualmente estimulantes.

---
Beijos.

"Todos os casais deveriam ler"

Hoje me deu vontade de postar aqui no blog um texto que eu recebi por e-mail na forma de aquivo pps. (Sabe, né, aquelas senhoras que mandam uma mensagem dessas por dia? Então, minha mãe é uma delas \o/. E a mãe do meu amigo também - sim, recebo emails da mãe do meu amigo... O texto a seguir, eu recebi de uma delas duas.)

Não sei se alguém lê ou curte esse tipo de mensagem em blogs. Mas eu a recebi, achei relevante - e meio desolador - o que estava escrito e quis postar aqui para deixar registrado, para que eu mesma possa reler de vez em quando.

O nome do slide que eu recebi, com a mensagem, é "Todos os casais deveriam ler". Não sei se é o título original, mas, como é pertinente, resolvi manter aqui no blog.

Segue.

Amor...

Aos que não casaram,
Aos que vão casar,
Aos que acabaram de casar,
Aos que pensam em se separar,
Aos que acabaram de se separar,
Aos que pensam em voltar...

Não existem vários tipos de amor, assim como não existem três tipos de saudades, quatro de ódio, seis espécies de inveja. O amor é único, como qualquer sentimento, seja ele destinado a familiares, ao cônjuge ou a Deus. A diferença é que, como entre marido e mulher não há laços de sangue, a sedução tem que ser ininterrupta.

Por não haver nenhuma garantia de durabilidade, qualquer alteração no tom de voz nos fragiliza, e de cobrança em cobrança acabamos por sepultar uma relação que poderia ser eterna. Casaram. Te amo pra lá, te amo pra cá. Lindo, mas insustentável. O sucesso de um casamento exige mais do que declarações românticas. Entre duas pessoas que resolvem dividir o mesmo teto, tem que haver muito mais do que amor, e às vezes nem necessita de um amor tão intenso.

É preciso que haja, antes de mais nada, respeito. Agressões zero. Disposição para ouvir argumentos alheios. Alguma paciência... Amor, só, não basta. Não pode haver competição. Nem comparações. Tem que ter jogo de cintura para acatar regras que não foram previamente combinadas. Tem que haver bom humor para enfrentar imprevistos, acessos de carência, infantilidades. Tem que saber levar. Amar, só, é pouco. Tem que haver inteligência. Um cérebro programado para enfrentar tensões pré-menstruais, rejeições, demissões inesperadas, contas pra pagar. Tem que ter disciplina para educar filhos, dar exemplo, não gritar. Não adianta, apenas, amar.

Entre casais que se unem visando à longevidade do matrimônio tem que haver um pouco de silêncio, amigos de infância, vida própria, um tempo pra cada um. Tem que haver confiança. Uma certa camaradagem, às vezes fingir que não viu, fazer de conta que não escutou. É preciso entender que união não significa, necessariamente, fusão. E que amar, "solamente", não basta. Entre homens e mulheres que acham que o amor é só poesia, tem que haver discernimento, pé no chão, racionalidade.

Tem que saber que o amor pode ser bom, pode durar para sempre, mas que sozinho não dá conta do recado. O amor é grande, mas não é dois. É preciso convocar uma turma de sentimentos para amparar esse amor que carrega o ônus da onipotência. O amor até pode nos bastar, mas ele próprio não se basta.

Um bom amor aos que já têm!
Um bom encontro aos que procuram!
E felicidades a todos nós!

TEXTO DE ARTUR DA TÁVOLA

---
Beijos.

I wish WE all have this...

Eu comecei a trabalhar - como professora \o/ - e estou organizando a minha vida, o meu tempo. Por isso que faz um tempinho que não venho atualizar o blog.

Além dessa mudança profissional, a outra novidade é que as coisas estão entrando nos eixos na minha vida pessoal - leia-se que eu estou me sentindo melhor e otimista em relação ao meu namoro. Não me sinto mais para baixo, mal, com um pé atrás. Seria efeito da mente ocupada pelo trabalho?

---
Semana passada em li um texto (creio eu que) despretensioso, mas tocante, no blog do Vladir Duarte. Inicialmente, pela imagem, eu pensei que se tratava de um referência ao Dia Internacional da Mulher. Mas, não; era em comemoração ao aniversário de relacionamento dele, não sei se de namoro ou se de casamento.

Gostei tanto do post que vou reproduzi-lo aqui. Nele estão narradas impressões que eu também estava tendo na semana passada, quando comecei a trabalhar, além de resumir singelamente o que eu atualmente penso sobre o amor.

Leiam abaixo. Os grifos são os trechos de que eu mais gostei.

SHE...

A impressão que tive é que todos nós vivemos sós. O mundo é cruel, as pessoas são cruéis. Saio de casa e de perto da família para vagar pelo mundo como um cachorro abandonado numa feira livre, lutando por restos podres de coisas boas. Carinho, atenção, companhia, amor... Nessa feira, todos são inimigos, todos estão miseravelmente solitários e tristes. Todos querem pra si, ninguém oferece nada ao outro.


E como um cachorro perdido e assustado, faminto e fraco, tremo e me escondo. Aprendo que humanos não são confiáveis, aprendo a dor das butinadas, aprendo a correr, a ler nos olhos dos outros tudo de ruim que suas almas são capazes de fazer. Aprendo a rosnar e a morder, sem dó.

Então, numa praça qualquer, uma mão me afaga, um olhar me vê, um coração me sente. Ela se aproxima e eu penso: como pode alguém se importar tanto assim comigo? Seu amor me ensina a voltar a ser humano, a confiar, a andar ao lado, a fechar os olhos e sonhar acordado, sem medo. E eu já não quero mais viver longe dela, porque nem lembro quem era antes dela chegar.

"Quando me vi tendo de viver comigo apenas e com o mundo, você me veio como um sonho bom!"

Amanhã, eu completo oito anos e dois meses de você. Obrigado.

---
:)
Bom final de semana, trabalhadores do Brasil (hehehe)!

Cá estou eu, em cima da cama do meu namorado...

...com um notebook no colo e procurando alguma coisa para fazer na internet, porque neste sábado à tarde, ele está jogando video-game, O Poderoso Chefão no Playstation 2. Beleza, têm-se o resto do dia e amanhã.

A respeito do meu namoro atualmente: está melhorando dia a dia. Nos tempos de ouro, meu namorado me tratava como uma entidade superior, tipo uma rainha de um conto-de-fadas contemporâneo; agora ele me trata como uma bonequinha de porcelana. Ok, ok, estou otimista. E ele também, felizmente.

Bem, para passar o sábado, resolvi fazer esse meme que vi no blog da Ana Carolina. Quem quiser fazer, esteja à vontade:

* Livro/autor(a) que marcou a sua infância: Sinceramente, não consigo me lembrar de nenhum que realmente tenha marcado! Seria mais justo eu falar do Mauricio de Sousa, porque, se houve algo que marcou minha infância, foram os gibis da Turma da Mônica.

* Livro/autor(a) que marcou sua adolescência: vou dividir a adolescência em duas fases:
-dos 11 aos 14 anos: Pedro Bandeira
-dos 15 aos 20: Fernando Pessoa.

* Autor(a) que mais admira: Machado de Assis.

* Autor(a) contemporâneo: Albert Camus.

* Leu e não gostou: não li, e também não gostei de nenhum livro do Harry Potter. Sinceramente, para mim, isso é coisa de criança!

* Lê e relê: Memórias Póstumas de Brás Cubas - releio e me divirto ainda - , de Machado de Assis, e O Estrangeiro, de Camus.

* Manias: ler vários livros ao mesmo tempo; parar por meses e retomar; prestar atenção a cada vírgula do que leio.

---
É isso... Bom sábado! E que dias melhores nos venham!

Um trecho de Antônio Prata

Então os políticos em quem confiei se meteram nas mesmas encrencas que a gente achava que eles combateriam, Gorbatchev faz propaganda de bolsa, eu escrevo frases como 'quando eu tinha a idade de vocês' [adolescência] e vejo que cheguei à quarta década da vida com muito mais dúvidas do que certezas. Não entro mais em intermináveis discussões em mesas de bar, defendendo até a última gota de suor minhas opiniões sobre as cotas para negros, a legalização da maconha ou a novela das 8. Dou minha opinião, resignado, sem nenhuma esperança de convencer os outros.

Antônio Prata, em Desafivelar os Cintos - Confissões de um Trintão, na edição 1039 (março de 2008) da revista Capricho.
Não, não leio a Capricho. Já li bastante, hehehe, mas são fases... Considero-a, hoje, uma revista rídicula e super-alienante. Mas a folheio quando cai na minha mão.

Gostei desse excerto do Antônio Prata. Tenho 24 anos e já me sinto resignada, não estou muito preocupada em mudar o mundo, a opinião das pessoas, etc. Pelo menos não a ferro e fogo. Quando eu não ridicularizo atitudes delirantes de jovens, eu simplesmente as ignoro.
Mas, apesar de já tranqüila em aceitar - ou ignorar - o resto, ainda possuo mais certezas do dúvidas. Ou melhor: possuo mais certezas do que dúvidas. Foi uma "aquisição" de maturidade que não pretendo perder.

PS: o livro do Antônio Prata As Pernas da Tia Corália não é bom. Ou melhor: não presta. Mais um livro que tem mais marketing-bem-sacado-no-título do que um bom conteúdo.

---
Agradeço à lindinha da Dafne por ter me concedido o selinho Blogger Del Dia. Obrigada, querida!

Jorge Luis Borges

Desvario laborioso e empobrecedor o de compor vastos livros; o de explanar em quinhentas páginas uma idéia cuja exposição oral cabe em poucos minutos. Melhor procedimento é simular que estes livros já existem e apresentar um resumo, um comentário.
Jorge Luis Borges no prólogo de Ficções.

Comecei a ler esse livro de contos do Jorge Luis Borges. Let's face it: eu não estou madura o suficiente para lê-lo agora. Puta que pariu. O foda é que eu já sou madura - modéstia à parte - de leituras, de compreendimento da vida... Ou seja: precisa ter pós-doutorado em maturidade, cultura e leituras para ler Jorge Luis Borges, hehehe. Será? A questão é que ele faz muitas referências a passagens bíblicas, à História Geral, a outras obras literárias. Ou seja: se eu insistir em ler agora, vou perder muita coisa, vou deixar de captar muitas metáforas, simbolismos, etc;
Bom, mas ainda boto fé neste escritor porque já vi gente intelectualmente respeitável o elogiando.
Mas... Agora não rolou.

Lendo "A Metamorfose"

Então, estou no começo... Até agora não estou gostando muito. A narrativa ainda não mostrou a que veio até o ponto em que estou. Críticas veladas ao Capitalismo... Um saco.

Não é mediocridade intelectual da minha parte. Muito pelo contrário. Já convivi com MUITOS considerados experts em literaturas. A maioria deles são uns idiotas. Aí eu já eu fico com preconceito com muitos livros, achando que, se tanta gente cretina elogia, os livros devem ser ruins, as estórias devem ser chatas, presunçosas e previsíveis...
Também não posso ser assim...


Revoltinha, hehehe.


Mais me anima, MUITO MAIS me anima, saber que a esta hora, amanhã, estarei numa balada, dançando, bebendo e me divertindo bastaaaante ;). Pensar demais e refletir sobre o que eu não vou mudar, eu deixo para depois. "Um dia, quem sabe", hehehe.

Pílulas

E fui cuidar do que restava, que é sempre o que se deve fazer. Porque tem outra coisa: girassol, quando abre flor, geralmente despenca. O talo é frágil demais para a própria flor, compreende? Então, como se não suportasse a beleza que ele mesmo engendrou, cai por terra, exausto da própria criação esplêndida.
Caio Fernando Abreu, Girassóis.

Dez Chamamentos ao Amigo

Se te pareço noturna e imperfeita
Olha-me de novo. Porque esta noite
Olhei-me a mim, como se tu me olhasses.
E era como se a água
Desejasse
Escapar de sua casa que é o rio
E deslizando apenas, nem tocar a margem.

Te olhei. E há tanto tempo
Entendo que sou terra. Há tanto tempo
Espero
Que o teu corpo de água mais fraterno
Se estenda sobre o meu. Pastor e nauta

Olha-me de novo. Com menos altivez.
E mais atento.
Hilda Hilst

[Poesia: 1959-1979 - São Paulo: Quíron; (Brasília): INL, 1980.]

Mais "Cleo e Daniel"

[Mas não veio nada. O rosto envelhecido e sereno do pai estava dentro do copo que ele olhava, esperando a coisa vir. O que era um banco? Para que servia um banco? Por que era assim tão importante um banco, para um homem entrar lá aos quinze anos, ser aposentado aos cinqüenta e achar que o mundo é um banco cercado de desemprego por todos os lados? O que sai escrito nos jornais moderados para um homem não precisar ler livros e outros jornais mais corajosos a fim de compreender o mundo, a sociedade, a política e os outros homens? Por que o artista será sempre um marginal, um anti-social, um comunista ou um pederasta? Por que o sexo rima com gonorréia, aborto, pecado, tara e casamento na polícia? Por que todo jovem precisa comer bem, dormir muito, ter método, não se masturbar, não trepar, estudar direitinho e formar-se em direito, medicina, engenharia, arquitetura, química ou farmácia? Por que o resto não tem futuro e por que ser poeta, escritor, jornalista, pintor e ator não dá futuro e é pior que ser bancário? E, afinal, por que é preciso economizar saúde e dinheiro, por que é preciso casar no civil e no religioso, ter filhos, enxaquecas, úlceras de estômago, alergia, reumatismo, miopia, câncer e enfarte do miocárdio?]

[Daniel sentiu e compreendeu tudo o que acontecia com Cleo. POrque não havia mais Cleo. Nem Daniel. havia o beijo. O encontro, as censão e a queda. Queda que era ascensão, pois não havia mais centro, como não há centro nem periferia no universo. O curso de energia livre não tem fim. E as novas desintegrações, novas sínteses, no ritmo do infinito sendo antes e depois sem tempo, sendo aqui e agora, sem espaço.

Um beijo de adolescentes num banco de praça. Três horas da tarde. Bocas coladas, olhos fechados, mãos apertadas. Nenhum movimento na superfície. Nenhum i´ndício aparente de que havia violado o segredo da vida dentro daquele beijo.

O primeiro transeunte achou bonito e parou. Olhava o casal, mas via sua própria condição. E chegou no limite de sua solidão e insatisfações. Deixou de sentir e pensou. Parou de pensar e julgou. Julgou com a solidão e as insatisfações. E condenou.]

[Os últimos nunca sabem a verdade. Mas gritam como os primeiros e são mais cruéis.]

[O que ele quis dizer? O que Cleo está pensando? Ninguém pode saber, nem eles. É impossível compreender os sentimentos e os pensamentos que brotam e fluem nas pessoas que conhecem o amor - não o nosso, mas o inédito, o proibido o que não soubemos ou não aprendemos a sentir.]

[Cleo e Daniel simbolizavam tudo o que ele sentia sobre a espécie humana e a vida: um poder vir a ser que não virá nunca, apesar de toda a beleza que existe.]

[Daniel fazia esforços para se localizar. Depois daquele beijo na praça, tudo o que acontecera antes em sua vida era tão distante e vazio que, mesmo sendo à memória, não permanecia e não provocava novos pensamentos ou emoções. Para que lembrar então? Para que pensar? Apertava a mão de Cleo e sentia brotos de sensações novas. Olhava seu rosto e pensava muito, pensava em como era bom olhar Cleo. Pensamentos como as variações em torno de um tema único: Cleo. E uma tristeza: por que não sentiam mais, no beijo ou na relação sexual, aquela paz maravilhosa experimentada no banco da praça? Sem aquilo, as emoções e o prazer não começavam do princípio, eram colhidos já maduros, parecendo alheios. E teve uma intuição mágica:
-Vamos à praça, Cleo! Quem sabe é ela... quem sabe está ali e não em nós...]

Livro "Cleo e Daniel", de Roberto Freire

Primeiro romance de Roberto Freire, lançado em 1966, escandalizou o país com sua linguagem contemporânea e contundente. Foi considerado um “Romeu e Julieta” nacional. Dois adolescentes, de quinze e dezessete anos descobrem e vivem o amor total, e por isso mesmo são caçados pela população da cidade de São Paulo. Com mais de trinta anos, continua um romance atual e interessa igualmente à juventude.
Dito aqui.

Acabei de ler o livro e quis colocar trechos que eu considerei interessantes aqui no blog. No entanto, não tenho paciência para escrever enredos de qualquer coisa no mundo. Daí, procurei pela internet algumas sinopses e descobri que o livro havia sido lançado nos Anos 60. Isso me surpreendeu. Me pareceu uma historia dos Anos 80, começo dos Anos 90. De fato, a sinopse acima está correta: Com mais de trinta anos, continua um romance atual e interessa igualmente à juventude.

Mas o enredo acima ainda continua incompleto. Aqui está o melhor resumo.

Bem, o livro não é o que eu esperava. Mas também não é o que eu esperava para pior: um romancezinho boboca sobre dois jovens descobrindo o amor, blá, blá, blá. Eu imaginava que fosse apenas isso. Não, tem bastante coisa interessante. Mas me surpreendi por eu não tê-lo considerado o melhor livro que eu já li na minha vida, como muitas pessoas consideram.

Pensando agora que o lançamento foi nos Anos 60, com certeza ABSOLUTA causou muita polêmica...

Por que me interessei em ler Cléo e Daniel: primeiro porque é famoso, sem falsa hipocrisia. Segundo porque o título é muito bem sacado: Cleo e Daniel, Cleo e Daniel, Cleo e Daniel. Uma excelente rima, no mínimo. Roberto Freire é gênio nisso, parece-me: um outro livro seu bastante famoso é Ame e Dê Vexame. Não tem como não ter vontade de ler.

Enfim, vou transcrever aqui alguns dos trechos de que eu mais gostei:

[Situação: Cleo e Daniel beijam-se em uma praça. Não é o primeiro beijo deles - que haviam até transado até então -, mas é a primeira vez que eles sentem o amor. Como estão num lugar público, transeuntes os observam]

Quem, como pessoa, pode suportar, face às suas limitações, frustrações e angústias, a imagem da liberdade total, do prazer e da alegria revelados de forma pura e natural? Quem, como pessoa, que racionaliza o impossível, que mistifica o misterioso e sublima a impotência, pode tolerar a visão física do eterno, o segredo humano revelado, a energia vital possuída e possuindo?

Não sei via nada, além da estátua de um beijo. Estátua de carne, mas estátua. Nenhum movimento. Apenas o tempo do beijo era maior, como o das estátuas. Só isso se via sobre o banco da praça. cada um que olhava, entretanto, sentia o que não estava olhando. E entrava merda em lugar de sangue, em seu coração. Sentia, cada um, ao ver aquilo, o que não houve nunca em si mesmo. E a estátua de carne torna-se uma ofensa. Ofensa insuportável que exige revide. Necessidade de revide que inveja, é o ódio. E quando chega-se ao ódio, descobre-se o amor. O amor inatingível, o alheio amor. Então, olhando o beijo de Cleo e Daniel, sentindo o que vê - o desconhecido sentimento, o inatingível prazer - cada um é um mendigo em desespero Cada um é o ódio exigindo destruição.

Esse foi o trecho de que mais gostei, o mais memorável para mim. Depois coloco os outros.

Nota do livro: 8,0
Motivou a: - ler Coiote, também do Roberto Freire, para ver qual é, hehehe;
- conhecer a tragédia Daphnis e Chloe, em que é baseado Cleo e Daniel e é citada diversas vezes no livro.

Ainda não pensei em nenhum "lição" substancial a se retirar do livro...

Clarice Lispector: Aquela

Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender. Viver ultrapassa qualquer entendimento.

PS: o título foi proposital ;).

"Eu sei, mas não devia" - Marina Colassanti

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra
vista que não as janelas ao redor.
E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora.
E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas.
E porque não abre as cortinas logo se acostuma a acender cedo a luz.
E a medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora.
A tomar o café correndo porque está atrasado.
A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem.
A comer sanduíche porque não dá para almoçar.
A sair do trabalho porque já é noite.
A cochilar no ônibus porque está cansado.

A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

(...)

A gente se acostuma à poluição.
Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro.

(...)

Se a praia está contaminada a gente molha só os pés e sua no resto do corpo.
Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço.
Se o trabalho está duro a gente se consola pensando no fim de semana.
E se no fim de semana não há muito o que fazer, a gente vai dormir cedo e
ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

(...)

A gente se acostuma para poupar a vida.
Que aos poucos se gasta, e que gasta de tanto se acostumar, e se perde de si mesma.

Excertos de "Eu sei, mas não devia", do livro homônimo de Marina Colassanti.

"A uma alma sensível" - Machado de Assis

"A uma alma sensível

Há aí, entre as cinco ou dez pessoas que me lêem, há aí uma alma sensível, que está decerto um tanto agastada com o capítulo anterior, começa a tremer pela sorte de Eugênia, e talvez..., sim, talvez, lá no fundo de si mesma, me chame cínico. Eu cínico, alma sensível? Pela coxa de Diana! Esta injúria merecia ser lavada com sangue, se o sangue lavasse alguma coisa nesse mundo. Não, alma sensível, eu não sou cínico, eu fui homem; meu cérebro foi um tablado em que se deram peças de todo gênero, o drama sacro, o austero, o piegas, a comédia louçã, a desgrenhada farsa, os autos, as bufonerias, um pandemônio, alma sensível, uma barafunda de coisas e pessoas, em que podias ver tudo, desde a rosa de Smirna até a arruda do teu quintal, desde o magnífico leito de Cleópatra até o recanto da praia em que o mendigo tirita o seu sono. Cruzavam-se nele pensamentos de vária casta e feição. Não havia ali a atmosfera somente da águia e do beija-flor; havia também a da lesma e do sapo. Retira, pois, a expressão, alma sensível, castiga os nervos, limpa os óculos, — que isso às vezes é dos óculos, — e acabemos de uma vez com esta flor da moita."

Capítulo 34 de "Memórias Póstumas de Brás Cubas", de Machado de Assis.

.
.
.
.
.

É...

Desculpa aí (para quem ainda não leu).

"Um cadáver de poeta", parte I - Álvares de Azevedo

I
De tanta inspiração e tanta vida,
Que os nervos convulsivos inflamava
E ardia sem conforto...
O que resta? — uma sombra esvaecida,
Um triste que sem mãe agonizava...
— Resta um poeta morto!

Morrer! E resvalar na sepultura,
Frias na fronte as ilusões! no peito
Quebrado o coração!
Nem saudades levar da vida impura
Onde arquejou de fome... sem um leito!
Em treva e solidão!

Tu foste como o sol; tu parecias
Ter na aurora da vida a eternidade
Na larga fronte escrita...
Porém não voltarás como surgias!
Apagou-se teu sol da mocidade
Numa treva maldita!

Tua estrela mentiu. E do fadário
De tua vida a página primeira
Na tumba se rasgou...
Pobre gênio de Deus, nem um sudário!
Nem túmulo nem cruz! como a caveira
Que um lobo devorou!...

 
designed by suckmylolly.com