Na segunda vez que eu tive um problema sério na escola - dessa vez com uma aluna, da mesma classe fatídica de que eu falei acima -, eu fiquei umas boas horas encanada. (Chamemos essa aluna de Aluna Insuportável, porque estamos na internet. Ao vivo, a alcunha que eu dei a ela é bem mais pesada.) Pensava se iria dar problema, se iria ter reclamação de pai, etc. Isso porque eu disse para a menina que gritar e atrapalhar durante a explicação da matéria era idiotice.
Na terceira vez que eu tive um problema com um aluno - adivinhem de que sala... -, eu fiquei algumas poucas horas pensando, encanada. Como na vez anterior, eu dei uma resposta àcida e merecida devido à impertinência e à folga do indivíduo.
Na quarta vez que eu tive problema na escola, com duas alunas, obviamente da famigerada sala, eu desencanei em pouco tempo. Contei para todo mundo: professores, amigos, namorado, mãe, tio. E até cheguei a perceber que eu fui cruel com uma delas:
Aluna insuportável, num tom de deboche: Eu queria que você escorregasse nesse lápis que está aí no chão e caísse.
Eu, a professora: Ai, Aluna Insuportável, eu queria que você morresse. Aliás, outro dia, vi no Orkut de uma menina da classe uma mensagem de luto em relação a uma pessoa com o mesmo nome que o seu. Fiquei até animada, pensando que fosse você. Mas não era...
Esse último caso aconteceu hoje.
Mais tarde eu descrevi essas meninas para uma amiga minha. E esta assim as definiu, na fonte original usada no MSN: "deixa eu traduzir... são tchutchucas, metidas a piriguetes, estagiárias de puta, que são autênticas lavadeiras..."
Sim, sim. E o melhor de tudo é que EU FAÇO os alunos aprenderem, no 9º ano de Ensino Fundamental, conceitos de gramática que (a maioria dos) alunos das faculdades de Letras não entendem. Conceitos como oração principal, oração adverbial, etc. Devo pedir desculpas pela minha falta de modéstia?
Uma vez, eu estava falando para esta sala (dentro de uma contexto de estudo) sobre pessoas que se acham:
Aluna Insuportável: Pessoas que nem você?
Eu, a professora: Não, eu não me acho. (Frase oculta: Eu tenho certeza.)
Bom, pelo menos a boa notícia do dia é que eu levei, para os alunos do 6º ano, uma revista francesa de moda, para falar sobre a linguagem visual usada nas propagandas, e eles adoraram.
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Até peço desculpas pelo tom esnobe do post, mas, quando se trata de educação, especialmente na escola pública, eu sou muito ortodoxa e até intransigente. Tenho por princípio de que os alunos devem receber a melhor instrução DO MUNDO, porque essa é a escolha profissional ÉTICA do professor, e porque eles têm esse direito. Assim, como têm o DEVER de se comportarem como os melhores alunos do mundo - ou, no mínimo, como gente civilizada.
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PS1: Me lembrei desta cena de Picardias Estudantis. Eu sou mais ou menos como esse professor, hahaha. (Mas não rasgaria o papel.)
PS2: O título do post também é uma referência ao filme. É isso que o professor fala quando o aluno maconheiro da classe recebe, por delivery, uma pizza dentro da sala de aula.


